
Tinha esquecido como a vida pode ser efemera e vulneravel. Assim como as pessoas.
Nao sei se gosto do gosto que isso tem. Ou melhor, a falta dele.
E é essa sensacao que faz doer, que faz perder o sentindo das coisas, desaparecer o fio condutor da vida.
Hoje te amo, amanha te odeio. Hoje isso, amanha aquilo. Morrer ontem, acordar hoje. Quente. Frio.
Ha textos aqui que hoje me fazem rir em pensar que escrevi com o coracao pulsando, a alma gritando, a dor sangrada. O sentimento verdadeiro, a mais pura existencia do ser. A sinceridade exacerbada, o sofrer, a dor.
A dor. Dela consigo lembrar, atravessando o tempo, hoje convertido em eras.
Mas nao consigo sentí-la.
Palavras dançando sobre a tela, assim como o fogo no vento.
Palavras dançando sobre a tela, assim como o fogo no vento.
Dançam, formam frases.
Coesao, coerencia, linha de raciocino. Falta de sentido.
Pensando bem. Vejo novamente todo o sentido se as aplico a um outro alguem. Uma nova fonte de inspiracao. E a vida assim continua, o fio conduz, ate que novamente se parte.
Ha um sentido nisso tudo?
Procuro o sentido na falta do sentir.
Mas quem é mesmo que morre dessas coisas hoje em dia?
Morre-se muito pro dia, pouco pra vida.
Morro um pouquinho todos os dias. A morte leva com ela em doses pequenas a fe, a esperanca. Leva tambem a dor.
Anestesia.
Sinto ela em todo o meu corpo. Alias, nao sinto.
Nao sinto nada. Nem amor, nem dor. So tedio. Sem remedio.
Ilusao.
Ilusao.
Colore de preto e branco todo o meu penar, o universo ao meu redor.
Todo esse infinito que é meu, e eu nao alcanco.
O infinito que nao acaba. O infinito que é o nunca.
Ou sempre.
Preciso de alguem que percorra comigo o caminho. O caminho do sempre.
Dizendo que está bem, que está tudo bem. Preciso de alguem que me toque, e no toque me salve. Que as palavras se eternizem, nao percam jamais o sentido. Que atravesse todas as eras de dentro de mim, e que nelas nao se perca.
O calor no peito, o sentimento perenizado, a irrelevancia das coisas na sua presença.
Que seja perfeito, porque perfeito é o que nao tem mesmo cabimento.
Que seja leve.
Que seja profudamente.
Profundo como tu, como és.
Tu que eu nem mesmo conheco, mas que ja faz parte de mim.
