sábado, 26 de junho de 2010

quando quando quando


eu preciso parar com isso, eu preciso deixar de ser muito, e olhe que tento ser apenas metade do que sinto. as vezes cansa sangrar tanto. as vezes queria olhar para uma pedra e ver somente uma pedra. desejo as vezes ser mais um casal convencional. ir de mãos dadas ao cinema no domingo, ter alguém para dividir o mundo, para que não pese tanto. ser mais leve. mas não, eu não consigo ser menos intensa. eu não consigo ser discreta, eu não consigo falar baixinho, ou não contar minha vida toda em meia hora pra quem acabo de conhecer. tenho pressa, tenho fome de amar. tenho tanto pra dar, mas ninguém pra receber. nunca acho que ninguém seja suficientemente bom, costumo me apaixonar somente por quem não posso. distancia literal ou distancia imaterial, qualquer obstaculo instransponivel que eu encontre eu acho perfeito. é lá que quero depositar meu amor. por que? porque sei que não posso. é como se eu tivesse medo do real, do palpável, tangível. me alimentasse do que poderia ser ou poderia ter sido. sofrer pelo passado e imaginar o futuro, que quando se torna presente me assusta. preciso parar com isso. preciso botar os pés no chao e parar de viver do que não me acrescenta em nada, não muda, não volta, não existe. preciso parar de criar, idelizar coisas, pessoas. e viver delas. e viver disso. viver do que não existe, do que eu criei dentro da minha cabeça louca. tenho quase certeza que puxei ao meu pai. e não acho isso uma coisa boa. poeta, comunista, músico, sozinho e triste. assim como eu vê flor ao invés de pedra. e nem tudo são flores. não existe homem perfeito, vida perfeita, lugar perfeito. ningúem vai chegar cantando e tocando pra mim uma música que compôs pros meus olhos, e passar a noite citando vinicius de morais e discutindo a fome no mundo e como a lua é bela. esse romantismo todo não existe mais, talvez eu seja mesmo o ultimo romantico. é triste você precisar suprimir sua intensida pra se encaixar no mundo, e não ser um peixe fora d`gua, um às de espadas fora do baralho. borboletas no aquário. mas talvez seja necessário, tentar ser menos, pra poder amar. poder finalmente dar bom dia ao amor. bom dia a mim. nao exigir tanto de si e tanto dos outros. a felicidade está nas coisas simples não é mesmo? e o simples é o mais importante. mas eu nao sou simples, a vida não é simples. mas por que eu preciso complicar tanto? agora mesmo estou brigando com minhas próprias palavras, meu proprio texto. é a parte de mim que quer mudar versus a minha intensidade que grita dizendo que prefere morrer sozinha do que ter que ser diminuída. sou assim. duas partes em mim. irmas siamesas que não se confudem, e que gritam, mas nao consigo ouví-las.