
De olhos bem abertos, depois de tanto tempo pensando que podia ver uma luz na escurdão total e irreversível. "Saiba que os poetas como os cegos, podem ver na escuridão." Não sou poeta. Tampouco sou cega. Estou mais viva e lúcida que sempre, e apenas escrevo um amontoado de palavras perecíveis que tem o seu prazo de validade expirado, e em dias, meses, perdem o sentido. Isso não é ser poeta.
Fruta mordida apodrecendo no canto do quarto. Bem vinda, una-se às demais. Umas mais podres que outras, todas mordidas, todas somando erros numa vida de nenhum acerto. Alma despida, fracasso patenteado. Depois da queda: Cacos espalhados. Nas entranhas, rasgando e sufocando. Lágrimas engolidas para afogar a saudade hipócrita de uma vida que nao me acrescentava em nada, nao me confortava em nada.
Crussificado, morto e sepultado. Desceu ao inferno. Espero que arda, sangre e jorre a infelicidade e desonestidade que plantou. Que colha a crueldade e o desamor que semeou. E eu? Eu vou lá. Vou subir aos céus.
