sábado, 31 de outubro de 2009
sexta-feira, 30 de outubro de 2009
Abençoados sejam os esquecidos.

_Espere...
_O quê?
_Não sei, só espere... Quero que espere... Um pouco...
...
_Tá...
_Mesmo?
_Não sou um conceito, sou só uma garota ferrada procurando paz de espírito...
_Não vejo nada que nao goste em você...
_Mas verá!
_Agora eu não vejo...
_Eu vou ficar entediada e me sentir presa... Pois é isso que acontece comigo...
_Ok.
Enternal Sunshine of the spotless mind.
segunda-feira, 7 de setembro de 2009
como se fosse ontem e amanha.

Tinha esquecido como a vida pode ser efemera e vulneravel. Assim como as pessoas.
Nao sei se gosto do gosto que isso tem. Ou melhor, a falta dele.
E é essa sensacao que faz doer, que faz perder o sentindo das coisas, desaparecer o fio condutor da vida.
Hoje te amo, amanha te odeio. Hoje isso, amanha aquilo. Morrer ontem, acordar hoje. Quente. Frio.
Ha textos aqui que hoje me fazem rir em pensar que escrevi com o coracao pulsando, a alma gritando, a dor sangrada. O sentimento verdadeiro, a mais pura existencia do ser. A sinceridade exacerbada, o sofrer, a dor.
A dor. Dela consigo lembrar, atravessando o tempo, hoje convertido em eras.
Mas nao consigo sentí-la.
Palavras dançando sobre a tela, assim como o fogo no vento.
Palavras dançando sobre a tela, assim como o fogo no vento.
Dançam, formam frases.
Coesao, coerencia, linha de raciocino. Falta de sentido.
Pensando bem. Vejo novamente todo o sentido se as aplico a um outro alguem. Uma nova fonte de inspiracao. E a vida assim continua, o fio conduz, ate que novamente se parte.
Ha um sentido nisso tudo?
Procuro o sentido na falta do sentir.
Mas quem é mesmo que morre dessas coisas hoje em dia?
Morre-se muito pro dia, pouco pra vida.
Morro um pouquinho todos os dias. A morte leva com ela em doses pequenas a fe, a esperanca. Leva tambem a dor.
Anestesia.
Sinto ela em todo o meu corpo. Alias, nao sinto.
Nao sinto nada. Nem amor, nem dor. So tedio. Sem remedio.
Ilusao.
Ilusao.
Colore de preto e branco todo o meu penar, o universo ao meu redor.
Todo esse infinito que é meu, e eu nao alcanco.
O infinito que nao acaba. O infinito que é o nunca.
Ou sempre.
Preciso de alguem que percorra comigo o caminho. O caminho do sempre.
Dizendo que está bem, que está tudo bem. Preciso de alguem que me toque, e no toque me salve. Que as palavras se eternizem, nao percam jamais o sentido. Que atravesse todas as eras de dentro de mim, e que nelas nao se perca.
O calor no peito, o sentimento perenizado, a irrelevancia das coisas na sua presença.
Que seja perfeito, porque perfeito é o que nao tem mesmo cabimento.
Que seja leve.
Que seja profudamente.
Profundo como tu, como és.
Tu que eu nem mesmo conheco, mas que ja faz parte de mim.
quinta-feira, 27 de agosto de 2009
o ÚNICO lugar pra sempre.

Mesmo sabendo que eu colocaria em risco essas coisas que faço e me soam tão bem. O Pilates, por exemplo, que faço às terças e quintas duas horas após almoçar na minha mãe. Isso me parece um pedaço agradável de uma agenda encantada, dias felizes, nada demais. A aula de dança das segundas e quartas, a acupuntura da sexta, a análise quinta cedinho, o parque do sábado a hora que der na telha, o japonês com a Letícia, meu emprego na televisão e na editora que me permitem mandar em boa parte do meu tempo sem ser, por isso, uma louca duranga, o costume de escrever até tarde ouvindo Beck ou Antony and the Johnsons, os mocinhos que aparecem, com intervalos de dez ou vinte dias, e me abastecem de um gostar possível e descartável, algum bar chato que serve pra me tirar de casa e até mesmo rir de um ou outro ser humano mais parecido com o que eu acho que deveria ser um ser humano. Nada disso me soa banal e aprendi mesmo a chamar de minha vida. Agora serão dias achando tudo idiota e até mesmo medíocre. O Pilates, os almoços em família, os bares, tudo uma tortura. Ainda assim, mesmo sabendo que depois é cheia de dor que carrego minhas horas, ainda assim eu cortei o cabelo um dia antes e comprei uma jaquetinha preta em promoção. Ainda que sentir de verdade pareça uma outra vida, às vezes cansa viver dentro das coisas que invento. Com você, mesmo eu inventando tudo também, dá pra ter essa sensação de desordem, atropelamento, vida dizendo e não minha cabeça falastrona. Mesmo sendo ofensivo pra minha existência que pessoas como você existam. Mesmo que sua tristeza e preguiça e desistência mostrem pra minha frescura de sentidos como tudo pode ser amargo e pior: mostre que tudo sempre foi e eu é que, vai ver, sou forte ou abençoada demais pra não sucumbir. Mesmo que sua alegria nunca seja por mim. E que sua alegria torne, quando por mim, minha vida intolerável. Sua existência é um absurdo e isso é a maior verdade que me vem à mente quando penso em você ou estou ao seu lado.
Passamos a tarde juntos. Foi leve e eu estava quieta, coisa que nunca aconteceu nenhuma das vezes que saímos. Eu estava sempre histérica e hoje eu estava muito quieta, até demais. Talvez seja porque eu não tenho mais a euforia louca de ser amada. Eu piro quando alguém me ama e ao ver em você a calmaria dos vencedores corriqueiros, larguei o corpo. Acabou sendo boa, a sensação de tarde ordinária, encontro ordinário. Eu pude habitar o papel de amiga caminhando ao lado, uma forma de ouvir por perto sua respiração pigarrenta que amo como se fosse o único sopro saudável do mundo. Eu permaneci e isso foi diferente, triste, insuportável, mas possível. Como os mortos que ficam em qualquer lugar, até mesmo embaixo da terra. Morto não deseja e por isso mesmo permanece. Acho que seu desejo morreu e talvez o meu também, já que boa parte desse amor enorme que eu sentia e sinto por você, vinha e venha da minha alegria desmesurada em me sentir amada pelos meus próprios sonhos. Você encerrava em mim eu mesma e era uma loucura tudo, como eu sentia, como eu queria me vomitar e ensanguentar e explodir e rodopiar em mim até furar o chão como uma broca desgovernada e depois sair derrubando o mundo como o único peão que sabe a verdade e precisa chacoalhar seu entorno pra não enlouquecer sozinho. Era uma loucura tudo. Mas a morte, o fim, nós, andando calmos, ao lado um do outro, isso me permitiu estar de alguma forma sem querer habitar cada instante do estar e para isso me retirando o tempo todo. E isso pode ser viver mas viver é terrível. E antes, quando eu não sabia viver e me sentia amada, era ainda mais terrível. Daí que sobra essa sensação de uma solidão filha da puta mil vezes pois em nada dá pra ser com você. E tudo bem, não é você, nunca foi, mas escuta a maluquice: é que nada disso impede que eu sinta um amor absurdo por você.
Me peguei uma hora, olhando você, andar, tão feinho, seu ombro encolheu um pouco, cada dia que passa mais e mais é uma concha o que você se torna. Dessas que é mentira a pérola e o som do mar, mas eu os vejo, o tempo todo. Você andando desse seu jeito meio de louco, que chacoalha a cabeça. E se veste mal quando pouco se importa, eu sei, eu entendi. E a manga suja de café. A roupa bege da cor de tudo que é você. Você é tão errado e cheio de estragos. E me peguei olhando pra tudo isso e amando tanto, tanto, tanto. Como se nada mais no mundo fosse tão bonito ou correto ou mesmo perfeito porque perfeito é o que não tem mesmo cabimento. O resto nem existe porque vemos ou explicamos.
Na sua varanda sem céu, certa vez, você se sentou naquela cadeira sem fundo. Me colocou no seu colo e me deu o abraço que disparava corações em mim como se eu tivesse um em cada nó de veia. E me disse, com sua voz tão bonita, a mais bonita que eu já ouvi, que eu tinha subido todos os seus andares. Eu entendi que você era o homem da cobertura de aço e eu uma espécie rara de passarinho que tinha algum tipo de chave que se autodestruiria em poucos segundos. E eu entendi também que agora que tinha chegado ali, só me restava pular, já que ninguém aguenta o alto tão alto muito tempo. A vertigem que era o nosso amor. Minhas olheiras, meu cansaço, meus quarenta e dois quilos. Eu poderia morrer porque você tinha uma carninha mais mole atrás da sua orelha direita e isso me impossibilitava, dia após dia, que eu vivesse sem sentir você o tempo todo. Mas quem é mesmo que morre dessas coisas? Não, não podemos, com tanta coisa pra fazer, os meninos de dez a vinte dias, os bares, e almoços, o Pilates, a dança, os empregos, escrever, tudo isso que é minha vida antes e depois de você. Tudo isso que daqui a pouco, quando a sensação desgraçada de absurdo e solidão passar, tudo isso volta, se acomoda, a agenda mágica, o gostosinho no peito, esquecer você todo dia um pouco pra vida e todo dia muito pro dia. Mas agora, hoje, guarda isso, eu amo demais você. Por que escrevo? Porque é a minha vingança contra todas as palavras e sensações que morrem todos os dias mostrando pra gente que nada vale de nada. Toma esse texto, o ÚNICO lugar seguro e eterno pra gente.
Passamos a tarde juntos. Foi leve e eu estava quieta, coisa que nunca aconteceu nenhuma das vezes que saímos. Eu estava sempre histérica e hoje eu estava muito quieta, até demais. Talvez seja porque eu não tenho mais a euforia louca de ser amada. Eu piro quando alguém me ama e ao ver em você a calmaria dos vencedores corriqueiros, larguei o corpo. Acabou sendo boa, a sensação de tarde ordinária, encontro ordinário. Eu pude habitar o papel de amiga caminhando ao lado, uma forma de ouvir por perto sua respiração pigarrenta que amo como se fosse o único sopro saudável do mundo. Eu permaneci e isso foi diferente, triste, insuportável, mas possível. Como os mortos que ficam em qualquer lugar, até mesmo embaixo da terra. Morto não deseja e por isso mesmo permanece. Acho que seu desejo morreu e talvez o meu também, já que boa parte desse amor enorme que eu sentia e sinto por você, vinha e venha da minha alegria desmesurada em me sentir amada pelos meus próprios sonhos. Você encerrava em mim eu mesma e era uma loucura tudo, como eu sentia, como eu queria me vomitar e ensanguentar e explodir e rodopiar em mim até furar o chão como uma broca desgovernada e depois sair derrubando o mundo como o único peão que sabe a verdade e precisa chacoalhar seu entorno pra não enlouquecer sozinho. Era uma loucura tudo. Mas a morte, o fim, nós, andando calmos, ao lado um do outro, isso me permitiu estar de alguma forma sem querer habitar cada instante do estar e para isso me retirando o tempo todo. E isso pode ser viver mas viver é terrível. E antes, quando eu não sabia viver e me sentia amada, era ainda mais terrível. Daí que sobra essa sensação de uma solidão filha da puta mil vezes pois em nada dá pra ser com você. E tudo bem, não é você, nunca foi, mas escuta a maluquice: é que nada disso impede que eu sinta um amor absurdo por você.
Me peguei uma hora, olhando você, andar, tão feinho, seu ombro encolheu um pouco, cada dia que passa mais e mais é uma concha o que você se torna. Dessas que é mentira a pérola e o som do mar, mas eu os vejo, o tempo todo. Você andando desse seu jeito meio de louco, que chacoalha a cabeça. E se veste mal quando pouco se importa, eu sei, eu entendi. E a manga suja de café. A roupa bege da cor de tudo que é você. Você é tão errado e cheio de estragos. E me peguei olhando pra tudo isso e amando tanto, tanto, tanto. Como se nada mais no mundo fosse tão bonito ou correto ou mesmo perfeito porque perfeito é o que não tem mesmo cabimento. O resto nem existe porque vemos ou explicamos.
Na sua varanda sem céu, certa vez, você se sentou naquela cadeira sem fundo. Me colocou no seu colo e me deu o abraço que disparava corações em mim como se eu tivesse um em cada nó de veia. E me disse, com sua voz tão bonita, a mais bonita que eu já ouvi, que eu tinha subido todos os seus andares. Eu entendi que você era o homem da cobertura de aço e eu uma espécie rara de passarinho que tinha algum tipo de chave que se autodestruiria em poucos segundos. E eu entendi também que agora que tinha chegado ali, só me restava pular, já que ninguém aguenta o alto tão alto muito tempo. A vertigem que era o nosso amor. Minhas olheiras, meu cansaço, meus quarenta e dois quilos. Eu poderia morrer porque você tinha uma carninha mais mole atrás da sua orelha direita e isso me impossibilitava, dia após dia, que eu vivesse sem sentir você o tempo todo. Mas quem é mesmo que morre dessas coisas? Não, não podemos, com tanta coisa pra fazer, os meninos de dez a vinte dias, os bares, e almoços, o Pilates, a dança, os empregos, escrever, tudo isso que é minha vida antes e depois de você. Tudo isso que daqui a pouco, quando a sensação desgraçada de absurdo e solidão passar, tudo isso volta, se acomoda, a agenda mágica, o gostosinho no peito, esquecer você todo dia um pouco pra vida e todo dia muito pro dia. Mas agora, hoje, guarda isso, eu amo demais você. Por que escrevo? Porque é a minha vingança contra todas as palavras e sensações que morrem todos os dias mostrando pra gente que nada vale de nada. Toma esse texto, o ÚNICO lugar seguro e eterno pra gente.
domingo, 9 de agosto de 2009
sem Ana, blues.

"(...)depois daqueles dias começou o tempo em que eu queria matar Ana dentro de tudo aquilo que era eu, e que incluía aquela cama, aquele quarto, aquela sala, aquela mesa, aquele apartamento, aquela vida que tinha se tornado a minha depois que Ana me deixou.(...)"
CFA
Homenagem hoje àquele que, para mim, é o que há de mais GRANDIOSO na literatura brasileira. Amargurado dentro da sua compreensão sangrada sobre tudo, e desiludido na vasta incompreensão sobre o nada, que é a raça humana. Deixou com sua ida precoce o mais rico dos legados. Mais vasto, mais inovador, profundo, denso, intenso, sensivel, doce, doentio e são. Mas como já dizia Renato Russo, que parecia adivinhar seu destino, sua sina: Os bons morrem jovens.
Apesar de. Apesar do virus mortal, escreveu, e por isso viveu. Sua vida se resumia à escrita. E ele sabia disso. Sabia que para isso deveria abdicar de muito e muitos, em busca de aprimorar sua prioridade. Sabia que se encontrasse algo que desse certo e pra sempre, não escreveria mais, ou não tão bem como antes, já que a tristeza e a melancolia exalam uma beleza que nem mesmo a alegria, a melhor coisa que existe, pode ter. Escrever foi seu fardo, e nossa dádiva. Ao que ele se referia como maldição, vejo como um dom, um milagre, uma inspiração. É isso que ele é. Um inspiraçao. Lê-lo dá vontade de viver, de sentir, de sangrar. Ao lê-lo enxergamos o que muitas vezes não pode ser visto em razao da poeira que se acumula ao nosso redor. A poeira que nós mesmos produzimos.
Lê-lo toca fundo a alma, um lugar que nem todos gostam de ser tocados. E que alguns simplesmente nao conseguem ser. Por esses só tenho a lamentar.
À caio, aquele que via dragões no paraiso, acreditava que a vida poderia ser doce e que o gosto de morangos mofados finalmente sumiria, que pensava que aqueles dois mereciam ser felizes em detrimento do atendo guardião da moral, que vezenquando doía dentro-dentro dele, aquele que sofreu por ana mas amava joão....
Enfim, À caio. O nosso.
quinta-feira, 23 de julho de 2009
por isso o grito no olhar.
Já perdi a conta
das noites de sono que perdi
quando me perdi ao te encontrar
Pra te achar eu perdi minha paz
Me perdi, ao achar-me demais
Já perdi a conta
de quantas lagrimas derramei
lagrimas de sal
sangue, sol e mar
Já perdi a conta
dos nomes que te xinguei
mulher da vida, sem coração,
minha mulher
Já perdi a conta
de quantas vezes jurei te esquecer
e de quantas vezes não consegui
Ficar foi morrer
e eu morri
O que não se pode contar
é que talvez seja destino,
sina
É que talvez seja sempre assim,
minha menina
Vou passar minha vida esquecendo você.
das noites de sono que perdi
quando me perdi ao te encontrar
Pra te achar eu perdi minha paz
Me perdi, ao achar-me demais
Já perdi a conta
de quantas lagrimas derramei
lagrimas de sal
sangue, sol e mar
Já perdi a conta
dos nomes que te xinguei
mulher da vida, sem coração,
minha mulher
Já perdi a conta
de quantas vezes jurei te esquecer
e de quantas vezes não consegui
Ficar foi morrer
e eu morri
O que não se pode contar
é que talvez seja destino,
sina
É que talvez seja sempre assim,
minha menina
Vou passar minha vida esquecendo você.
segunda-feira, 20 de julho de 2009
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