sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

de mansinho.


Ela passou a noite toda, entre o adormecer e o despertar, ouvindo Chico Buarque cantar no seu ouvido. Levantou-se quando colocaram uma cartinhazinha debaixo da porta:

“Se você quer ser minha namorada, você tem que me fazer um juramento, não perder esse jeitinho de falar devagarinho essas histórias de você. E de repente me fazer muito carinho e chorar bem de mansinho, sem ninguém saber porquê. E se mais do que minha namorada, você quer ser minha amada, minha amada, mas amada pra valer, os seus olhos têm que ser só dos meus olhos e os seus braços o meu ninho, no silêncio de depois. Ser a estrela derradeira, minha amiga e companheira, no infinito de nós dois.”

Ela começou a chorar copiosamente, como se algo desmanchasse dentro dela. O que desmanchou foi a carta, feita de açúcar. E o seu amor, que fora feito de soluços.

2 comentários:

Anônimo disse...

me fez chorar. num dia como este, era o que eu mais precisava ouvir. :')

Ariane Rodrigues disse...

Que belo texto, tão simples e singelo...

Abraço!