
"Silêncio.
Se um dia Deus vier à terra haverá silêncio grande.
O silêncio é tal que nem o pensamento pensa.
O final foi bastante grandiloqüente para vossa necessidade? Morrendo ela virou ar.
Se um dia Deus vier à terra haverá silêncio grande.
O silêncio é tal que nem o pensamento pensa.
O final foi bastante grandiloqüente para vossa necessidade? Morrendo ela virou ar.
Ar energético? Não sei. Morreu em um instante.
O instante é aquele átimo de tempo em que o pneu do carro correndo em alta velocidade toca no chão e depois não toca mais e depois toca de novo. Etc., etc., etc.
No fundo ela não passará de uma caixinha de música desafinada.
Eu vos pergunto:
– Qual é o peso da luz?
E agora – agora só me resta acender um cigarro e ir para casa.
Eu vos pergunto:
– Qual é o peso da luz?
E agora – agora só me resta acender um cigarro e ir para casa.
Meu Deus, só agora me lembrei que a gente morre. Mas – eu também?!
Não esquecer que por enquanto é tempo de morangos.
Sim."
Não esquecer que por enquanto é tempo de morangos.
Sim."
(LISPECTOR, 1984, p. 97-8).

2 comentários:
gosto imenso desta fotografia!podiam ser morangos, mas são framboesas!:)
ela escreve tão bem , é prosa mas parece poesia , impossivel não querer tatuar o livro inteiro quando se ler ...
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