quarta-feira, 3 de novembro de 2010

playing for a change


A balança marca 55 kg, mas aqui dentro-dentro a sensação é de 2 toneladas. Medida desmedida. Vontade bulímica do dedo na garganta expulsando corpos estranhos, todos essses que me habitam e me pesam. Intensidade desequilibrada, insanidade ratificada, e olhe que tento ser apenas metade do que sinto. Minha alma sangra, meu corpo chora, minha aura pesa. Como será ser leve? Como será olhar uma pedra e ver apenas uma pedra? Eu, que tanto me orgulhei da minha intensidade ariana, impulsividade inconsequente, hoje olho pra dentro e ao redor, e sinceramente choro. Sou tanto, que não caibo mais em mim, tenho medo do normal, baybe. E de tanto transbordar sensaçoes e sentimentos, hoje eles me transbordam e se concretizam na lágrima. Ela, que é a materialização do sentimento, aflora em mim o desejo de mudança, e com ele a vontade de ser menos, para ser mais. Amar menos para amar mais. Filtrar a vida, afunilar as pessoas e peneirar os sentimentos. Hoje eu to jogando tudo fora. Tudo que não presta mais, todo lixo que joguei nos meus becos e quintais. Quero respirar leve, ser clara, eu quero ser sincera com algúem. Eu preciso ser sincera comigo. Cuidar de mim, beijar minhas cicatrizes, curar minhas feridas, ao invés de esperar que alguem o faça. Hoje entendo que é preciso me amar pra poder ser amada, é preciso me valorizar para ter valor. Em busca da felicidade. E ela, essa jovem tão cobiçada, as vezes acontece não só por adição, mas por subtração. É preciso esquecer, let go, pessoas e experiências. Mesmo que essa pessoa seja eu. É preciso trocar de pele, esquecer a dor, que de tão velha já pode morrer. Exigimos o eterno do perecível, loucos. E se a saudade bater, engolir o choro pra afoga-la. Afogar essa coisa que coisa alguma explica por que nao fenece.

Um comentário:

Unknown disse...

Nossa, me vi em cada linha dessa postagem!!! Posso colocar no meu blog, dando os créditos a você, claro?! Perfeito! Você tem muita sintonia com as palavras... ;*