
eu estava dando uma lida em arquivos antigos, maldades, injutiças, crimes, falta de humanismo em tudo que vejo. afinal, faço direito, e é triste ver na prática aqueilo que aprendemos através de uma bela teoria igualitária. não pensem que estou descrente de minha profissão, longe de mim, acredito na tal teoria embora ela seja rara de se constatar. e almeijo ser uma dessas raridades, autoridades que exteriorizam o que há de bonito no ser humano. porque há sim muita coisa bela a ser mostrada e descoberta. e eu prefiro pensar sempre no copo metade cheio, mesmo sabendo que a outra metade está lá. tenho a intenção de, inspirada por figuras como o juiz De Sanctis, lutar pelos meus proprios ideais, fazendo prevalecer minha indole, carater e pensamentos. não me deixando abater por colarinhos brancos ou tribunais superiores. sei que parece uma utopia falar isso, dado que sabemos que a carreira juridica hoje( e desde sempre) é uma das mais corruptas, quando deveria combater fielmente a corrupção. mas toda grande macieira tem suas maças podres, e somente são apreciadas pelos homens e por deus as mais belas. quero ser uma dessas. melhor, vou ser.
enfim....
eu estava dando uma lida em arquivos antigos, maldades,injutiças, crimes, falta de humanismo em tudo que vejo. e me deparei com o caso que culminou na promulgação da lei para os crimes hediondos, o caso de daniela perez, a qual foi morta a tesouradas por motivo fútil. ao ler sobre o assunto vi uma bela declaração da sua mãe, gloria perez, que citava um trecho de uma musica de chico buarque: "a saudade é um parto ao revés."
essa frase de impacto me fez refletir. não só por soar, literalmente, como musica aos meus ouvidos, mas por me parecer tão verdadeira, cheia de pureza e dor. pois se você parar para pensar a saudade dói por te fazer querer trazer de volta pra dentro de si tudo que um dia foi seu. e dói mais ainda a impossibilidade de.
a impossibilidade de abraçar o corpo da pessoa da qual sentimentos saudade, para guardá-la, detalhe por detalhe, não na mente, mas nas entranhas. mas é a saudade que, paradoxalmente, alimenta a alma e nos faz sentir vivos, juntamente com as lembranças que ela carrega intrinseca a si, e a esperança de um dia encontrar o que vai estancar a ferida, para fazer doer a proxima.