quinta-feira, 19 de março de 2009

e ao inferno também.


e enfim o amor desafinou, perdeu o ritmo. ainda que o timbre soe suave e pueril, ao mesmo tempo que arrebatador e profano.
mas no peito dos desafinados também bate um coração. esse coração que depois das feridantigas já não é mais o mesmo, esse coração que bate cada vez mais lento pela abstinência do objeto catalizador.
aquele que desfolhou-me como à mais pura das rosas, com toda a delicadeza e o tato que o momento pedia, mas derrapando pelas curvas do meu corpo, completando-o, bebendo o que dele escorria pela pele.
o suor, o gozo, os gemidos que desordenam, o toque, e de fundo a musica embalando os nossos corpos à vontade. melhor ainda é poder deitar a cabeça com ar de alívio, sem os arrependimentos que me companharam nas camas que conheci, sentindo-me protegida por ter feito e presenciado o amor, pela primeira e unica vez.
amor presente no cheiro que exala quando você me aperta, me amassa, me quebra, me usa demais. presente no olhar de cumplicidade que você me lança quando me surpreende com seus movimentos, despertando em mim aquilo que há de pior, os instintos mais primitivos, e a fantasias que sobrevoam minha mente.
mas essas bocas que ontem se alimentavam devorando uma a outra, hoje cospem fogo e saliva. hoje você não me cabe, e eu te sobro. quero sangue pulsando, e esse fogo fervendo e queimando você. que uma onda te leve, te afogue e te entregue a quem for, mas que te faça desaparecer.
ah eu quero é ar para beber, eu quero mais é te perder...

Um comentário:

Amadora disse...

adorei.
um dos melhores.
você escreve muito bem, fato.
a gente chega a sentir o que você sente.
e de certa forma eu já senti coisas bem parecidas.
foi Deus quem te colocou no meu caminho, para que eu descobrisse que nem tudo está perdido.
e na força que temos uma na outra, é que a gente se apoia a cada novo dia.