
Você poderia ter gritado o que queria, quebrado garrafas, atirado copos contra as paredes. Poderia ter feito ameaças, rasgado a minha roupa, ter-me tido à força.
Mas não.
Você preferiu ser compreensivo, engolir humilhações, habituar-se à indiferença.
Preferiu cimentar-se e esconder-se sob um escudo inabalável.
Agora eu sei que a dureza era só fachada.
No seu interior, abalos sísmicos e múltiplas rachaduras. Tudo desmoronou.
E da tragédia do terremoto, entre os seus escombros, nem eu sobrei.
*Alma nua
Porque as vezes é necessário despí-la, e assim concretizá-la em versos.

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